27/12/2006

A Depressão na Adolescência

Neste Outono chuvoso, recorrem a este serviço alguns alunos que estão a vivenciar crises depressivas, estas muito mais comuns e frequentes que a depressão, essa sim, uma situação mais grave, que implica uma actuação mais pronta e consertada.As expectativas escolares, sociais ou familiares pouco realistas, podem criar um forte sentimento de rejeição e levar a um profundo desapontamento. Quando as coisas correm mal na escola e/ou em casa, os adolescentes tendem a exagerar, muitos jovens sentem que a vida é injusta e se não corre da maneira que eles querem, sentem-se ansiosos e confusos.Os pais por vezes têm dificuldades em perceber os seus interesses, msn, hi5, sim2, ps II, psp, são coisas que se distanciam da sua realidade juvenil. E quando os resultados escolares surpreendem pela negativa, em vez de acompanharem e orientarem estes interesses, optam por proibir, muitas vezes porque nem sequer têm tempo para actuar de outro modo.Os adolescentes precisam mais do que nunca da ajuda dos adultos para perceber todas as mudanças físicas e emocionais que estão a passar. Porque a situação pode agravar-se e a capacidade de funcionar no seu dia-a-dia, desaparece e ai sim temos uma depressão.Há muitos factores que contribuem para a depressão. Estudos mostram que algumas pessoas deprimidas possuem alterações de determinados químicos no cérebro. Também as histórias familiares de depressão podem aumentar o seu risco. Outros factores que podem contribuir para a depressão são acontecimentos difíceis na vida (morte ou divórcio), efeitos secundários de medicamentos e padrões negativos de pensamento.Importa por isso tentar esclarecer quais os sintomas desta situação clínica: Desempenho medíocre na escola; Isolamento relativamente a amigos e actividades; Tristeza ou ausência de esperança; Falta de entusiasmo, energia ou motivação; Irritação ou revolta; Reacção excessiva a criticas; Sentimentos de incapacidade de satisfação de ideais; Falta de auto-estima e sentimento de culpa; Indecisão; Falta de concentração e perturbação na memória; Problemas com a autoridade; Inquietação e agitação; Mudança nos padrões de sono e alimentação; Abuso de substâncias; Pensamentos ou acções suicidas.Quando os adolescentes deprimidos reconhecem a necessidade de ajuda, dão um grande passo no sentido da recuperação, de qualquer forma é necessário lembrar que são poucos os adolescentes que procuram ajuda sozinhos. Pode necessitar de encorajamento por parte de adultos envolvidos para procurarem ajuda e seguirem as recomendações de diagnóstico e tratamento.
Artigo escrito para o Jornal da Escola - Dezembro de 2006

23/11/2006

Diário de uma psicóloga escolar

Os dias que correm não são felizes para os professores, que se sentem, com razão, tratados "abaixo de cão". Mas os dias que correm, consequentemente, também não são felizes para a educação. E quando se fala de educação, fala-se de outros profissionais que conseguem ainda, por vezes, ser mais desconsiderados que os docentes. Estou a pensar em profissionais que (quase) não existem nas escolas e vêem as suas funções desempenhadas por professores ou... por ninguém. E como professor é "pau para toda a colher", embora esteja "abaixo de cão", psicólogo parece estar "abaixo de professor". E é assim que já foi sugerido, na televisão, por responsáveis na política educativa, que qualquer professor experiente pode substituir um psicólogo quando ele não existe.Serão tão irrelevantes as funções de um psicólogo escolar ou tão simples de serem assumidas por pessoas sem a formação adequada? Acompanhemos uma psicóloga num dia de trabalho no agrupamento em que está colocada.

- 09h00 - Escola EB 2/3 - Atendimento de um aluno de 16 anos a frequentar o 6.º ano. Família desestruturada, governa o seu quotidiano em completa autogestão, desde a decisão sobre o que comer ao longo do dia, passando pelo local onde irá angariar umas moedinhas à noite, arrumando carros, até à hora em que deve regressar a casa para dormir.
- 09h40 - Atendimento de uma encarregada de educação, cuja filha, frequentando o 8.º ano, tem problemas de integração na turma e na escola e é alvo de bullying.
- 10h00 - Pequena pausa (?) para um café, no bufete da escola. O café acaba por arrefecer, tantas são as solicitações dos professores que querem pedir "dicas" sobre formas de actuação com alunos/turmas com os mais variados problemas.
- 10h10 - Partida da Escola EB 2/3, rumo a uma das escolas do 1.º ciclo do agrupamento para, em conjunto com a professora de uma turma, analisar e, provavelmente, reformular o plano de apoio a um aluno com síndroma de Asperger, e para atender e apoiar individualmente esse aluno.
- 11h10 - De novo na Escola EB 2/3. A manhã reparte-se entre mais alguns atendimentos a encarregados de educação e alunos, sempre na angústia de ter de equilibrar o tempo de atendimento desejável com a necessidade de dar resposta ao apoio a um elevado número de alunos. Pelo meio ficam telefonemas diversos para encarregados de educação ou entidades como a Comissão de Protecção de Crianças e Jovens em Risco ou escolas profissionais.
- das 13h00 às 13h30 - Almoço na cantina da escola. Alunos que entram ou saem aproximam-se para contar as suas alegrias ou tristezas do dia ou simplesmente para, a pretexto da confirmação da data do próximo atendimento, poderem receber o afecto que sempre lhes é dispensado.
- 14h00 - Atendimento a um grupo de alunos que, estando fora da idade de frequência obrigatória da escola, estão ainda no 2.º ciclo e continuam desmotivados. Objectivo: criar um espírito de motivação e de entreajuda no grupo para haver assiduidade às aulas e cumprimento de tarefas que possibilitem o seu sucesso académico.
- 14h45 - Reunião com uma directora de turma para definição do plano de abordagem do tema "Educação sexual" na sua turma de 7.º ano.
- 15h15 - Participação na reunião de uma equipa pedagógica do 9.º ano, para definição da intervenção na área da orientação escolar e profissional.
- 16h00 - Reunião com uma assistente social do Instituto de Reinserção Social para fazer o balanço do acompanhamento de um aluno e para redefinir estratégias de intervenção.
- 16h30 - Reunião com uma directora de turma para apoio na elaboração de um plano educativo para um aluno sobredotado, com problemas de integração na turma e desinteresse pelas aulas.
- 17h00 - Hora de saída. A chegada até ao portão faz-se com alguma lentidão, devido aos diversos professores e alunos que, à sua passagem, aproveitam para trocar algumas palavras e pedir alguns conselhos ou sugestões ou, simplesmente, para desabafar.Terá acabado o dia de trabalho da psicóloga? Claro que não. Onde, ao longo de todas estas horas, coube o estudo do processo da cada aluno atendido? Onde coube a pesquisa para definir formas de intervenção nas variadas situações a que teve que dar resposta? Onde coube a preparação de materiais? Resposta evidente: em casa, nas horas de lazer e, por isso, não remuneradas. Por vezes, há ainda reuniões com conselhos de turma ou com encarregados de educação, às 18h30. Mais lá para diante, no ano lectivo, haverá também o trabalho com cada turma de 9.º ano, com cada aluno individualmente e com os seus encarregados de educação, para o aconselhamento relativamente às escolhas pós-9.º ano. Ficará para mais tarde ainda o apoio na transição dos alunos do 4.º ano para a nova escola. Estas tarefas não implicarão uma redução das exigências nas outras áreas de intervenção, sendo antes um acréscimo de responsabilidades e de trabalho.Terá um qualquer professor "com muita experiência" tempo, conhecimentos de Psicologia e formação profissional para cumprir as funções de um psicólogo escolar? Parece-me evidente que não.Haverá exagero na descrição feita neste artigo? Não. Na verdade, todas as semelhanças com a realidade não são coincidência; resultam da minha observação do quotidiano da psicóloga do agrupamento em que está inserida a minha escola.

Drª Armanda Zenhas (Mestre em Educação, área de especialização em Formação Psicológica de Professores, pela Universidade do Minho. É licenciada em Línguas e Literaturas Modernas, nas variantes de Estudos Portugueses e Ingleses e de Estudos Ingleses e Alemães, e concluiu o curso do Magistério Primário (Porto). É PQND do 3.º grupo da Escola EB 2,3 de Leça da Palmeira e autora de livros na área da educação. É também mãe de dois filhos) in EDUCARE.pt

21/09/2006

Acesso 2006

No passado fim de semana, os alunos do 12º ano candidatos ao ensino superior, conheceram os resultados do Acesso. Parabéns pelo trabalho realizado a todos os que conseguiram atingir o seu objectivo. Para os outros, novas oportunidades surgiram. Vamos lá começar a pensar nos níveis que precisam atingir para o conseguir. Façam já o download das classificações dos últimos colocados no Ensino Superior na 1º Fase de 2006.

26/06/2006

De regresso à escola

No dia 21 de Junho, pelas 9 horas da manhã lá estava eu de volta à Solano. Com a Ritinha ainda a mamar em exclusivo, com os pareceres das Retenções Repetidas para dar, vai ser uma experiência atribulada este reinicio depois de 40 dias de atestado, por gravidez de risco e 120 dias de licença de parto.

29/05/2006

Sessão de Informação

Dia 31 de Maio, lá estarei de volta à Solano, para um compromisso profissional, fazer uma sessão de informação para os alunos do 12º ano, antes de estes partirem para a preparação dos Exames Nacionais.

07/03/2006

Pré-Requisitos

Depois de uma breve visita à Solano de Abreu, onde percebi a falta que lá faço, deixo aqui uma breve explicação que penso necessária:

Os estabelecimentos de ensino superior podem fixar pré-requisitos de acesso a um determinado curso, quando as aptidões físicas, funcionais ou vocacionais assumam particular relevância para o ingresso nesse mesmo curso.

Uma vez fixados, a sua realização é obrigatória.

Dentro de cada grupo, o aluno apenas necessita de realizar o pré-requisito numa das instituições citada na listagem da Comissão Nacional de Acesso ao Ensino Superior.

A inscrição nos pré-requisitos realizar-se-á de 27 de Fevereiro a 24 de Março (existem instituições nas quais não é necessário efectuar inscrição).

A realização dos mesmos decorre de 3 de Abril a 12 de Maio (devendo consultar-se o calendário concreto de cada instituição).

Em termos gerais, são exigidos pré-requisitos para os seguintes cursos e áreas:
· SAÚDE ( ENFERMAGEM, MEDICINAS, FISIOTERAPIA, ETC.)
· CIÊNCIAS FARMACÊUTICAS - LISBOA
· HIGIENE ORAL E PRÓTESE DENTÁRIA
· DESPORTO, EDUCAÇÃO FÍSICA E DANÇA
· BELAS ARTES E DESIGN
· EDUCAÇÃO MUSICAL
· INSTRUMENTISTA E DIRECÇÃO DE ORQUESTRA
· GEOGRAFIA, HISTÓRIA, ARQUEOLOGIA
· JORNALISMO E CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO - PORTO
· AUDIOVISUAL E MULTIMÉDIA
· PUBLICIDADE E MARKETING
· TECNOLOGIA DA COMUNICAÇÃO AUDIOVISUAL
· EQUINICULTURA - SANTARÉM
· TRADUÇÃO E INTERPRETAÇÃO LÍNGUA GESTUAL PORTUGUESA
· DESIGN GRÁFICO E PUBLICIDADE - PORTO
· EDUCAÇÃO DE INFÂNCIA E ENSINO BÁSICO – PORTO